Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

E na caixa tinha um vinho do Priorat!

A algumas semanas atrás participei de um Winebar, em parceria com a World Wine, sobre a Península Ibérica. Diferente das outras vezes, não recebemos o mesmo vinho para debatermos; cada jornalista/ blogueiro recebeu um vinho de um região diferente, com características bem peculiares.

Estava ansiosa por receber meu rótulo. Quando a caixa chegou descobri que o meu vinho era um espanhol, da famosa região do Priorat! O vinho em questão era o Artigas 2006.


Ao abri-lo percebi que seus aromas estavam bem fechados. Coloquei-o na taça e o deixei ali por 1 hora e meia. O vinho, que começou com uma bomba de frutas vermelhas maduras, evoluiu para toques de couro, pau de galinheiro, especiaria, fruta, ou seja, bastante complexo! Na boca, a acidez surpreendeu, notas de frutas, leve tosta, tanino elegante, fino, boa persistência deixaram o vinho perfeito para ser bebido já!

Harmonizado com uma carne no forno ficou muito bom! Recomendo!

Por falar em Winebar, na próxima terça-feira haverá uma degustação com a linha Intenso, da Salton, às 20h. Não perca!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Churrasco harmonizado com vinho do velho mundo #cbe

Sei que tinha de falar das harmonizações realizadas com os vinhos tintos da Wines of Chile, mas estou fazendo uma pausa para publicar o post da Confraria Brasileira de Enoblogs (#cbe), que tem data certa para sair. Retomarei o assunto na próxima publicação.

O Cristiano Orlandi, do blog Vivendo Vinhos, lançou o seguinte desafio: "Qual vinho do velho mundo você abriria com um churrasco?"


E nós, que adoramos desafios e harmonizações, corremos para adega e escolhemos o vinho.

O eleito foi o espanhol Santa Cruz de Artazu 2006, da região de Navarra.


Elaborado 100% com a casta Garnacha, vinda dos vinhedos mais antigos da vinícola, esse vinho apresentou coloração violácea e reflexos negros, aromas de tabaco, notas terrosas, café, tomates, violetas e um pouco de álcool que esquentava o nariz. Depois de 1 hora e meia aberto, os aromas evoluíram e o álcool desapareceu.

Na boca mostrou complexidade, notas frutadas, levemente adocicadas, bom corpo e um álcool que insistia em querer aparecer, mas que também desapareceu depois de 1 hora, aproximadamente. 

Harmonizou muito bem com uma picanha mal passada, principalmente com aquela bordinha de gordura que  - confesso - adoro de paixão e sempre como um pedaço, apesar de saber todo o mal que ela pode proporcionar!! 

Comprei a garrafa na Mistral, por 228,00. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Feijoada e vinho no domingo!

Minha mãe acabou de telefonar, me chamando para almoçar feijoada no domingo. Segundo a previsão do tempo, a temperatura vai despencar... Acho que feijoada e vinho vai ser a grande harmonização no final de semana! Tem coisa melhor que família reunida, comida boa e degustação de um bom vinho?

Mas muitos podem estar se perguntando: Com qual vinho a feijoada combina?



Por isso, reproduzo aqui um texto que fiz para o blog Papo de vinho, do jornalista e amigo Beto Duarte:

"A queda nas temperaturas faz com que aumente a quantidade de calorias em nossos pratos, não é mesmo? Por isso, o assunto de hoje é a feijoada e a possibilidade de harmonizações com vinhos.

Sempre que se fala em feijoada lembro de uma frase do grande escritor Stanislaw Ponte Preta: “Feijoada só é completa com maca e ambulância na porta.” Ou seja, esse prato, típico da cultura brasileira, que tem sua origem na senzala, é altamente calórico e pesado.

Imaginem harmonizar um prato que tem uma grande diversidade de carnes (quase ortopédico, não? É pé, costela, joelho,...) e temperos em sua composição... Onde eu fui me enfiar, não é mesmo? Baita assunto polêmico esse de feijoada e vinho. Mas vamos lá afinal, nunca deixaremos de beber vinho só porque a harmonização é difícil.

As carnes utilizadas na feijoada aceitam tintos. Mas a gordura final do prato pede um vinho com elevada acidez. O que fazer? Vá de vinhos tintos leves, frescos, mas sem taninos marcados. Ou com espumante. Minha experiência mais bem sucedida nessa harmonização foi com um cava: A acidez nervosa do espumante limpava as papilas gustativas a cada nova garfada! Além disso, as notas de limão e laranja do espumante ajudavam a incrementar a feijoada... Recomendo!

Mas, se a sua feijoada for a branca, o clássico francês Cassoulet, faça como os franceses e prove com um delicioso Malbec de Cahors."

E se você não tiver nenhum desses vinhos na sua adega, abra aquele que seu coração mandar e brinde à vida!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Harmonizando com costelinha de porco!

Todas às sextas-feiras eu escrevo uma coluna sobre harmonizações no blog Papo de Vinho, do jornalista Beto Duarte.

Já publiquei lá uma harmonização com costelinha de porco. Mas como costumo receber alguns e-mails pedindo dicas de harmonização com esse prato, optei por reproduzir aqui o texto:

"Se tem uma carne que eu devoro, sem medos, é carne de porco... E olha que eu cresci, escutando que carne de porco é perigosa e blá blá blá... 

Costelinha, costeleta, joelho, lombo... sempre comi e estou aqui, vivinha. Acho que ela é bem menos prejudicial que esse monte de frango cheio de anabolizantes por aí. Mas o nosso assunto aqui é vinho, então vamos lá:

Sugestão para o final de semana: Prepare uma deliciosa costelinha de porco com molho de cebolas e retire da adega um vinho da Bairrada ou da Rioja afinal, precisaremos de vinhos com bom corpo para acompanhar a carne gordurosa. Se você tiver um Malbec argentino ou Chianti Riserva, aproveite, porque eles também darão conta do recado!


AVISO: Estou em férias! Você está lendo um post inédito, mas programado. Volto à ativa (ao blog e aos e-mails) em 22 de Julho.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Degustação de vinho espanhol em restaurante alemão

A melhor maneira de aprender sobre vinho, além de estudar muito, é degustar. E, quando surgem eventos que valorizam essas degustações, não podemos deixar passar.

Na próxima terça-feira, o restaurante Weinstube - do Club Transatlântico, promoverá uma degustação grátis com vinhos da Almería Importação. Serão degustados cinco rótulos espanhóis - um branco e quatro tintos, petiscos e você ainda terá a possibilidade de tirar dúvidas e aprender mais um pouquinho com os proprietários da importadora.

Aproveite!


Serviço - Degustação “Diversidade Espanhola”
Local: Restaurante Weinstube – Club Transatlântico
Endereço: Rua José Guerra, 130 – Chácara Santo Antônio
Data: 25 de junho, terça-feira
Horário: 20h
Vagas limitadas: 50
Reservas: (11) 2133-8600 

terça-feira, 23 de abril de 2013

Top 5 do Encontro de Vinhos OFF

Os eleitos do Encontro de Vinhos, que está acontecendo agora na Casa da Fazenda, foram:

1º lugar: Antichello Amarone, 2008 , Ravin importadora
2º lugar: Tinedo Cala n.2, 2009, Domno importadora
3º lugar: Amarone Scriani, 2008, s/ importadora
4º lugar: Chilcas Cabernet Franc, 2010 , Max Brands
5º lugar: Amarone Tenuta Chiccheri, 2007, s/ importadora.

Vem pra cá!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Comprando vinhos sem sair de casa...

Na semana passada participei de um jantar organizado pela Buywine - uma jovem loja virtual de vinhos, que surge com a proposta de também divulgar e popularizar o vinho, trazendo rótulos nas mais diversas faixas de preços. E o melhor: muitos vinhos para o dia a dia, com um preço pra lá de justo!

A degustação foi organizada em três partes: A primeira parte foi uma degustação só com vinhos brancos: 


Nessa sequência, o meu favorito foi o Marina 2011, um Sauvignon Blanc chileno, que tem toques minerais (adoro!) e uma excelente persistência, com preço de 75 reais. Mas se formos pensar no preço, o também chileno Santa Ema 2011 Sauvignon Blanc, mandou super bem, principalmente pelo valor que custa - em torno de 23 reais. Excelente sugestão para aquela festa na beira da piscina, ou então para uma festa de casamento - ao invés de gastar seu precioso dinheirinho com lambruscos de qualidades BEM duvidosas.

A segunda sequência foi só com vinhos tintos do velho mundo:


O espanhol Beso de Vino Selección 2009 me ganhou! Aromas de cassis, cerejas, baunilha, tomate e um leve mineral. Na boca mostrou equilíbrio e elegância, com boa integração entre fruta e madeira. O preço? Melhor ainda: 39 reais. 

A terceira sequência apresentou apenas vinhos tintos do novo mundo:


Dentre esses, meu favorito foi o chileno Amplus Carignan 2007, que mostrou bastante complexidade e bom potencial de guarda. Aqui, o preço já sobe mais um pouquinho - em torno de 110 reais.

Ao longo da degustação o que mais me chamou a atenção foi o preço de alguns rótulos: Percebi que eles tem muitos vinhos baratinhos e que se encaixam no perfil do vinho bem feito. Alguns rótulos custam 20 reais, e eu os beberia facilmente em festas, eventos, descontraindo com amigos...

A Buywine entrega em casa, no prazo máximo de 2 dias úteis e cobra um frete fixo de 25 reais. Em compras acima de 300 reais, o frete é grátis.

Como disse Jane Prado, do blog Château de Jane e fotógrafa das lindas imagens desse post: "Podemos dar a volta ao mundo sem sair de casa". Então, capricha no clique e boa viagem!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Amigos e vinhos... Precisa mais?

Receber em casa é realmente delicioso afinal, você abre a intimidade do seu jeito de morar, para receber amigos e isso precisa ser feito de maneira prazerosa e criativa.

No último sábado recebi meus amigos de faculdade, que queriam experimentar minha comida! Com o maior prazer fui para a cozinha e elaborei umas comidinhas simples, mas que causam bom efeito.

Começamos com alguns queijos e um bom espumante. O eleito foi o brasileiro Fausto, da vinícola Pizzato. Confesso que foi uma grata surpresa abrir essa garrafa. Eu não conhecia esse espumante, tampouco havia lido sobre ele... Foi uma daquelas boas intuições...


Elaborado pelo método Charmat, esse espumante apresentou uma coloração amarelo intenso e aromas de pães, flores, limão siciliano e um toque de evolução delicioso... Na boca mostrou boa acidez, bom corpo, cremosidade e boa persistência. Foi um sucesso!

Para a entrada preparei uma salada caprese (que não dá trabalho algum) e que fica bonito no prato.


Para o prato principal preparei um risotto de gorgonzola com pêras, uma costelinha de porco marinada na cachaça, no limão e no mel. Umas batatinhas assadas com alecrim e tomilho também compuseram a nossa refeição.



O vinho da refeição foi um presente trazido pelos amigos Ariadne e Augusto. O espanhol El Coto Crianza 2008, da vinícola El Coto da Rioja, harmonizou perfeitamente com nossa comida!


Elaborado com a casta Tempranillo (claro!), esse vinho apresentou uma coloração vermelho rubi intenso, com aromas de frutas (vermelhas e negras), carne de caça, chocolate e tostado. Na boca, mostrou uma incrível elegância, com taninos finos e bom corpo.

Vinho aprovadíssimo por todos! Infelizmente não é vendido no Brasil. A dica é: Se estiver pela Europa, não deixe de prová-lo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Alion 2006 - Uh lá lá!!

O blogueiro Evandro - do blog Confraria2panas - sabe como receber os amigos! Ele nos proporcionou uma bela recepção a algumas semanas atrás: Abriu sua casa e sua adega para mais uma pontuação do Guia Brasil às Cegas.

Depois de cumprirmos nossa obrigação (que era pontuar!), ele nos ofereceu um grande vinho de sua adega, um dos clássicos dos vinhos espanhóis, o Alion 2006. Sim!!! Já não bastava ser Alion, tinha que ser a safra 2006, considerada uma das melhores!!


Elaborado 100% com a casta Tempranillo, esse vinho da região da Ribera del Duero, dos mesmos produtores do Vega Sicília, é um vinho de encher os olhos e a boca... Com coloração vermelho rubi intensa, aromas de frutas negras, cerejas maduras, especiarias (principalmente pimenta preta), um toque tostado, além de uma ponta mineral, esse vinho mostrou, na boca, um excelente corpo, cheio, longo, com taninos extremamente elegantes. Simplesmente inesquecível!

Respondam-me: É ou não é um excelente anfitrião?

Na próxima, você já sabe, se quiser alegrar os amigos, abra um Alion!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vinhão e comida básica!

Há alguns meses tive a oportunidade de degustar um vinho que sempre aguçou minha curiosidade. O vinho em questão é o Viña Ardanza Reserva Especial 2001, do produtor La Rioja Alta.


Essa curiosidade se deu porque eu já havia provado um vinho desse produtor e tinha gostado muito: o Viña Alberdi (um dos primeiros posts deste blog. Não leu, clique aqui). Confesso que minhas expectativas foram alcançadas... Sabe aquele vinho de coloração levemente atijolada, indicando evolução... então, ele se mostrou assim. No nariz apresentou notas destacadas de mel, ameixa, frutas secas, figo, um defumado e flores. Na boca? Ah, na boca... Macio, elegante, evoluído, uma luva!!!

Vale lembrar que esse vinho só é produzido em colheitas excepcionais, a partir das uvas Tempranillo (80%) e Garnacha (20%). Esse rótulo é trazido pela Zahil.

Harmonizamos com carne grelhadinha, molho madeira, batatas fritas e arroz. Ficou uma delícia! É verdade que era muito vinho para uma comida básica, mas tem horas que isso pouco importa, não é mesmo?


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Edetana 2010

Desde o final do ano passado tenho participado de degustações promovidas pelo jornalista e blogueiro Beto Duarte (do blog Papo de Vinho), que servirá como base de dados para um guia de vinhos que ele está escrevendo junto do blogueiro Cristiano Orlandi (do blog Vivendo Vinhos). 

Tenho degustado muita coisa boa e aprendido muito também! Ao lado de feras - como Walter Tommasi (Consultor da Revista Go Where Gastronomia), Álvaro Cézar Galvão (do blog Divino Guia), Fábio Barnes (do blog Vinhos por Barnes e consultor da Vinhoclic), Vanessa Sobral (do blog Falando sobre Vinhos), Evandro Silva (do blog Confraria2panas), Victor Beltrami (do blog Balaio do Victor), João Clemente (do blog Falando sobre Vinhos), a linda Nadia Jung (fotógrafa e blogueira do Mundus Vinus) e mais um monte de gente bacana que aparece periodicamente - tenho aproveitado o momento para aprender muito afinal, é uma união de conhecimento e vinhos de qualidade que ensinam muito mais do que qualquer curso!

Foram tantos vinhos bons! Tenho vários posts sobre esses rótulos que começarão a ser publicados aqui.

O de hoje é sobre um vinho recém degustado, o espanhol Edetana 2010.


Elaborado com as castas Garnacha Blanca (50%), Viognier (40%) e Muscat (10%), esse vinho apresentou coloração amarelo palha e aromas de melão, pêra, maçã fresca e flores (rosa, talvez). Na boca mostrou excelente acidez e um toque mineral. Dentre os degustados da noite, esse foi meu vinho branco mais bem pontuado.

Por isso, fica a sugestão! Quem traz esse rótulo é a importadora Península.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pura Garnacha!!

Há tempos estou para escrever este post. Sabem porque demorei? Porque os vinhos que falarei agora foram a minha melhor surpresa neste ano de 2012 e porque eu estava buscando palavras para poder defini-los.

Algumas semanas atrás recebi um e-mail do Luís Remacha, da vinícola La Calandria, da região de Navarra/ Espanha, me convidando para provar seus vinhos. Como estou sempre em busca de descobertas afinal, é isso que nos leva ao conhecimento, não podia deixar essa oportunidade passar.

O simpático Luís é um apaixonado pelo que faz. Também pudera, seus vinhos são deliciosos, puros e que buscam retratar da melhor maneira possível o terroir que eles têm.

O nome da vinícola é La Calandria, o pássaro conhecido por nós como calhandra. Esse nome é porque o trabalho dos produtores é sair colhendo as uvas garnacha de vinha antiga em vinha antiga, que foram recuperadas, e que estão em via de extinção. Assim sendo, a vinícola produz vinhos naturais e 100% com a uva garnacha (ou grenache).

Depois de receber toda a explicação sobre o processo de elaboração dos vinhos, provei os 4 rótulos que eles desenvolvem. Vamos a eles:


O primeiro foi o Sonrojo 2011. Um vinho que me ganhou de cara... sabe aquele vinho fácil de beber, que você pode abrir a qualquer hora, sem delongas... É esse!! Jovem, brilhante, fresco e muito aromático, esse vinho apresenta uma coloração de enfeitiçar os olhos. A acidez é marcante e as notas de amora se destacam tanto no nariz quanto na boca. Vinho próprio para ser bebido antes das refeições, ou na beira da piscina, ou na praia, ou onde você quiser! Perfeito para nosso clima.

Em seguida provamos o Volandera 2011.


Com coloração violeta claro, esse vinho apresentou aromas fartos de framboesa, alcaçuz, morangos e cerejas. Na boca é leve, fresco, simples, bem feito, ideal para uma tarde ensolarada afinal, ele tem um caráter bastante festivo.

Na sequência, provamos o Cientruenos 2010, que apresentou um vermelho rubi bem vivo e bonito. No nariz aromas frutados e na boca um equilíbrio incrível, com bastante personalidade.


Por fim, provamos o Tierga 2008. Após passar 7 meses em barrica de carvalho, esse vinho vai para a garrafa e é distribuído para nos enfeitiçar. De coloração violeta escuro, esse vinho apresenta aromas de frutas e um leve toque de madeira, totalmente integrado ao vinho. Na boca mostrou-se fino, elegante, com boa estrutura e equilíbrio.


A paixão do Luís vem justamente pela condição da produção desses vinhos. É impossível não se apaixonar também. Veja só: As vinhas velhas produzem pouquíssimo e o trabalho desses enólogos é sair buscando essas uvas de galho em galho, como o pássaro citado anteriormente. Além disso, essas vinhas velhas são tratadas de modo natural e manual, o que não dá para concorrer com a produção altamente mecanizada das grandes vinícolas de hoje. Mas é justamente esse trabalho árduo, de pessoas apaixonadas por vinhos que nós encontramos dentro de suas garrafas. Como o Luís mesmo disse - "É poesia engarrafada!"

O melhor de tudo: Esse vinho já é comercializado no Brasil. Quem o traz é a importadora Dominio Cassis.

Para encerrar, deixo vocês com as lindas fotos da região onde esses vinhos são elaborados. Não poderia terminar de outra forma... Espero ter conseguido encontrar as palavras para expressar minha surpresa... Se não encontrei, as imagens falam por si só!





terça-feira, 22 de maio de 2012

Don Quijote de La Mancha e os vinhos!

Sempre gostei de vinhos espanhóis, embora não sejam os meus favoritos. Mas essa situação começou a mudar nas últimas semanas. Isso porque, no Encontro de vinhos OFF e na Expovinis conheci os vinhos da região de Navarra, até então desconhecidos por mim. E, na última terça-feira conheci também os vinhos da região de La Mancha, em um evento muito bacana que aconteceu no Hotel Emiliano, aqui em São Paulo...

Por onde começar? Nem sei dizer... Tanta coisa boa... Talvez La Mancha, e isso porque, como professora de Literatura, tenho verdadeira paixão pelo clássico Don Quijote de La Mancha... Aliás, o símbolo da Denominação de Origem de La Mancha é o nosso querido cavaleiro andante e seu "cavalo" Rocinante!!


Miguel de Cervantes, em sua obra, descreve bem a região, embora não fosse essa sua intenção. Porém, mesmo sem nunca termos colocado os pés ali, é possível visualizar e sentir cada lugarejo. Durante a leitura percebemos que Dom Quixote vê chuva durante um único momento, e é uma chuva bem levinha, uma garoa praticamente. No mais, ele caminha sempre sob um sol escaldante... E é assim mesmo que essa região, ainda pouco conhecida por nós, brasileiros, produz seus vinhos. Com um temperatura que pode chegar a 40 graus durante o verão, e com chuvas escassas, as vinhas são espaçadas para permitir que cada planta possua sua própria parcela de água, que costuma cair bem aos poucos. Além disso, num clima tão inóspito, as pragas não resistem e, portanto, as uvas crescem sem sofrerem de doenças.

A experiência de provar os vinhos dessa região foi realmente gratificante. Confesso que me surpreendi com a boa qualidade dos vinhos aliás, eu poderia destacar vários produtores aqui. Mas, para não me estender demasiadamente, hoje falarei de um dos produtores que mais gostei: A Bodega Verduguez.

Foto: Divulgação

Um dos meus favoritos foi o Hidalgo Castilla, elaborado 100% com uma das castas típicas da região, a Tempranillo. Esse vinho, que passou 12 meses em barrica de carvalho e mais 2 anos na garrafa antes de ser posto para a comercialização, mostrou notas de frutas bastante maduras, especiarias como cravo, canela e noz moscada, flores bem delicadas e um tostadinho. Na boca era extremamente equilibrado, com bom corpo e excelente acidez. As notas de frutas maduras se comprovaram na boca e os taninos mostraram-se bastante elegantes. 

Com um seleção de vinhos bem interessantes, esse produtor me ganhou não só pela qualidade do vinho,  mas também pela surpresa de ter entre seu rótulos um Tempranillo Dulce, o Nebbia.


Elaborado a partir da colheita tardia da Tempranillo, esse vinho mostrou, além de aromas como damasco e frutas secas, um excelente equilíbrio entre acidez e doçura, tornando-o memorável. Queria tanto degusta-lo com um chocolate... Mas para isso, algum importador brasileiro precisa trazer esse vinho para nossas terras, ou então, realizar uma deliciosa andança por La Mancha, a terra do nosso sempre querido Dom Quixote...

Ah, memória, inimiga mortal do meu repouso...
                                                                        

quarta-feira, 9 de maio de 2012

As surpresas na Expovinis 2012

A Expovinis, o maior evento de vinhos da América Latina aconteceu na última semana de Abril aqui em São Paulo.

O melhor dessa feira é a variedade de coisas boas que podemos degustar. São vinhos de inúmeras regiões, feitos e pensados dos modos mais diferentes possíveis. O único problema disso tudo? Três dias é muito pouco. Tanta coisa por aprender, por apreciar...

Tênis no pé e uma ideia na cabeça: Conhecer o máximo possível... Conversei muito, degustei muito e posso afirmar que o stand da França foi o melhor no quesito "aprendizagem". Além de vinhos de diversas regiões (a grande maioria sem importador no Brasil, infelizmente), eles tinham uma área de palestras bem bacana... Eram palestras sobre Bordeaux, sobre a Provence, sobre o Beaujolais, dentre outras... Ao longo das palestras, vinhos da região debatida eram servidos e os próprios produtores conduziam a degustação, explicando os processos e os objetivos. Eu aprendi um monte de coisas novas. E vocês sabem que eu adoro isso...

Olivier Marquart apresentando seu Carte Noire 2010

No quesito "novidade", fico com o stand de Navarra, uma região na Espanha. Com expositores muito simpáticos, fotos incríveis dos vinhedos e vinhos com qualidade de surpreender, eu me entreguei a essa região e por isso farei, em breve, um post só sobre eles!

E para deixar você com água na boca, segue a foto da vinícola La Calandria - Pura Garnacha, em Navarra...

Foto: divulgação

É para se apaixonar ou não?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Harmonizando em alto-mar

Depois de passarmos a tarde toda no "El Palenque", comendo e bebendo, voltamos ao nosso navio. Eu mal podia pensar em comida, mas às 20h já estava eu lá, no restaurante...

A comida no navio é muito boa e variada, isso não se pode negar. De manhã tem um belo buffet de café da manhã em dois restaurantes. Frutas, bolos, pães, cereal, panqueca, bacon, ovo, linguiça e tudo que é digno de um café da manhã multicultural. O almoço também é no esquema "self-service" e tem uma variedade bem legal com carne, frango, peixe, massas, saladas e uns acompanhamentos bem gostosos, além das sobremesas.

Entre o café da manhã e o almoço, e entre o almoço e o jantar, tem um lanche muito bem servido de pizzas, sanduíches e outros quitutes práticos e saborosos. Eu não fotografei nenhuma dessas refeições. Registrei somente as delícias do jantar.

O jantar é a única refeição à la carte do navio, servido num restaurante elegantíssimo. Todos os dias você senta na mesma mesa e é atendido pelos mesmos garçons, ao longo da viagem. O mais bacana disso é que criamos uma amizade com essas pessoas que, ao final de sete dias, fica até difícil dizer adeus a elas!

Todos os dias o couvert é servido com uns 3 tipos de pães diferentes. O menu apresenta cerca de 5 opções de entrada, 5 de prato principal e mais umas 7 de sobremesa. Todos os dias tem uma opção vegetariana sinalizada no cardápio e uma sobremesa sem açúcar. Ou seja, dá para manter a linha durante todas as refeições...

Segue algumas fotinhos das comidas saborosas dos nossos jantares:

Ah, ceviche, que saudades de você!

Salmão com aceto balsâmico
Vitelo com purê de ervilhas. Sensacional!!

Tiramisú delicioso!

Oi, Cheesecake!!
As bebidas também estavam incluídas. O cardápio de drinks era bastante extenso, com bebidas para todos os gostos. Em relação aos vinhos incluídos, tínhamos uma cava brut e uma demi-sec, um vinho branco, um vinho tinto e um vinho do porto.

Existe uma carta de vinhos (com preços a serem cobrados à parte), com bastante variedade e preços bem honestos. Para se ter um ideia, um champagne Moët & Chandon custava 65 dólares. Se formos pensar nos preços que são praticados nos empórios e restaurantes brasileiros, isso é uma verdadeira pechincha.

Eu não tenho foto de nada que bebi... Estava tão relax que eu sempre adiava o lado blogueira: "Depois eu fotografo!!" ou então, "Amanhã eu tiro a foto!". E esse amanhã chegou tão rápido que não fotografei nenhum rótulo.

A cava era a Jaume Serra Brut. Com perlage fina, me surpreendeu nos aromas: maçã, pêssego e um toque de lima, além de frutas secas e baunilha. Na boca, mostrou-se fresco com um toque adocicado no final e uma acidez incrível, que combinava demais com todo o mar azul que nos cercava...


O vinho branco e o tinto também eram espanhóis. Ambos eram Don Luciano. O branco, Chardonnay, mostrava frescor e vivacidade. Notas de frutas cítricas e hortelã eram facilmente identificadas. Tanto que esse vinho me acompanhou na maior parte da viagem... Simples e bem feito! O tinto era um Cabernet Sauvignon, com muito aroma de fruta vermelha e pimentão. Na boca estava bem equilibrado! Outro rótulo simples e bem feitinho...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O Natal combina com... Bacalhau


Bacalhau é um prato tradicional não só no Natal, mas em outras festividades, como a Páscoa. Além disso, costuma ser o queridinho de muitas famílias, sendo apreciado ao longo de todo o ano, naquele almoço de domingo, com a família toda reunida!

Dica de receita para este clássico ingrediente? Eu não tenho nenhuma... Cada família tem seu modo de preparar o bacalhau, com aquela receita que vai passando de geração para geração... Às vezes é o bacalhau grelhadinho, para outros é ensopadinho com batatas, para outros é em forma de bolinho,... São tantos os modos de preparos... e todos tão deliciosos!

Ok, todos sabemos o quanto bacalhau é bom, mas na hora de harmonizar, todo cuidado é pouco. O bacalhau é daqueles pratos que, dependendo do vinho que o acompanha, deixa aquele gosto de metal na boca... Já fiz um post sobre bacalhau na Páscoa. (não leu, clique aqui)

Então minha dica vai para a harmonização. Se o seu bacalhau não leva muitos ingredientes, é preparado de maneira bem simplificada, sendo grelhadinho e acompanhado de um bom azeite e batatinhas, você pode recorrer a um bom vinho branco com bastante madeira - minhas sugestões são o espanhol, da região da Rioja, o Conde de Valdemar ou o vinho nacional da Miolo, RAR Viognier...

Se a sua receita leva mais ingredientes na preparação, ou se você aprecia mais um tinto, busque um vinho maduro com taninos bem macios. Minha sugestão: João Pato Touriga Nacional, do Luís Pato!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

The View para comemorar!

Na semana passada este blog comemorou seu primeiro ano de vida. Então, utilizamos esse fato como desculpa para conhecermos um restaurante que há tempos desejávamos conhecer, o The View

Localizado no topo do Flat Transamérica, na Alameda Santos, a 30 andares de altura; esse restaurante tem uma das mais belas vistas da linda, maravilhosa e caótica cidade de São Paulo, graças a uma janela de vidro que percorre todo o salão, nos permitindo uma visão incrível...

A decoração é aconchegante, o bar oferece música ao vivo e o cardápio tem pratos e petiscos interessantes, além de várias opções de drinks e bebidas. Ou seja, delícia de lugar, ambiente agradável, música bacana, e a cidade de São Paulo vista do alto!

Para harmonizar com esse clima todo, pedimos uma taça de espumante Mumm (a única da carta que era vendida em taça). Apreciamos a paisagem e a espumante... Notas de frutas fresquinhas, bom perlage e boa acidez.

Fomos para mesa e nos foi entregue o cardápio. Logo escolhemos as comidinhas:  Para a entrada, escolhemos aspargos frescos, com molho de limão siciliano! Vale lembrar que nem tentamos harmonizar vinho nenhum aqui, ok?


Para o prato principal, eu escolhi o risotto de camarões com alho poró...


E meu marido foi de carne de carneiro ao molho de alecrim, com risotto de parmesão...


Todos os pratos, sem exceção, estavam perfeitos: aspargos firmes, molho de limão siciliano levíssimo e super aromático, risotto ao ponto... Tudo muito saboroso!

Vocês devem estar pensando: "E o vinho?" Ah, o vinho... 

Pedimos a carta de vinhos. A carta era simples, sem grandes afetações, mas com um grande inconveniente ao meu olhar: Preços caríssimos, que não correspondem ao preço real da garrafa nas importadoras.

Sei que há o serviço, os garçons, o sommelier, as taças, etc., mas eles cobrarem mais de 100% do valor da garrafa é exploração demais. Para se ter uma idéia, os vinhos que pedimos custa, em média, na Mistral, R$75,00 cada garrafa. No restaurante nos foi cobrado R$ 165,00 por cada uma... Conseguem entender a minha indignação!

Eu saí para me divertir então, infelizmente, não quis me estressar com os preços do vinho e acabei consumindo...

Escolhemos o francês Côtes du Rhône Parallèle 45, do produtor Paul Jaboulet Aîné.


Elaborado com as castas Grenache (60%) e Syrah (40%), esse vinho apresentou uma coloração vermelho rubi bem claro. Notas de frutas vermelhas fresquinhas eram facilmente identificadas. Na boca, muita leveza e equilíbrio, com acidez perfeita e notas de cerejas persistentes. Delícia!

Na harmonização com a carne de cordeiro, este vinho ficou perfeito, mas com o risotto de camarão ele não se saiu tão bem.

Em seguida partimos para o espanhol (que eu sou fã!) Conde de Valdemar Crianza 2006.  


Esse tinto, da região de Rioja, me fez suspirar, como todos dessa vinícola. Elaborado com as uvas Tempranillo (85%) e  Mazuelo (15%), apresentou uma coloração vermelho rubi brilhante e intensa. No nariz mostrou muita complexidade: frutas vermelhas maduras, frutas negras, especiarias, carne de caça, um toque defumado, e uma menta incrível!

Na boca mostrou-se equilibradíssimo - madeira bem integrada, sem álcool em evidência! Excelente! Lembrando que esse vinho só harmonizou bem com o cordeiro... Mas não faz mal, eu comi todo o risotto de camarão e só depois eu apreciei essa garrafa! E apreciei muito... Um excelente vinho com um preço incrível (se comprado na importadora - fica a dica!)

Quanto a sobremesa, decidimos deixar para a próxima, pois estávamos satisfeitos... Terminamos a garrafa observando a vista e viemos embora!


O balanço da noite: Restaurante delicioso, mas com uma carta de vinhos com valores que precisam ser revistos! No mais, a comemoração do 1º aniversário do "Taças e Rolhas" foi excepcional!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os tintos, a massa e o carneiro

Olá leitores, eu SEI que estou sumida, mas vocês não podem calcular a loucura que tem sido essas duas últimas semanas. Foi um mix de muitas provas para elaborar e corrigir (eu sou professora, caso alguém ainda não saiba!). Além disso fui para Campinas fazer a cobertura da MIV (Mostra Internacional de Vinhos); e fora a NET, que às vezes opta por não trabalhar... Mas vamos lá, antes tarde do que mais tarde, não é mesmo!

Após os espumantes, os queijos, os petiscos e os vinhos brancos, chegou a vez do prato principal e seus acompanhamentos.

A Joyce optou por nos surpreender com as massas frescas (elaboradas por ela mesma). O primeiro foi um ravioli recheado com abóbora e catupiry com molho bechamel e um queijinho parmesão por cima...


O segundo foi um capeletti recheado de ricota e nozes com molho pesto e hortelã!


Esse segundo prato ficou realmente especial. O hortelã acrescenta não só um aroma incrível, mas também um frescor, uma modernidade ao tradicional manjericão. Foi o meu preferido!

O terceiro foi o bom e velho spaghetti ao sugo.


Para acompanhar essas massas, tinha ainda um carneiro que marinou por umas 10 horas no Pinot Noir. Ele ficou sensacional: macio, saboroso e suculento. Foi a primeira vez que provei carneiro (isso porque eu tenho muita dó daqueles bichinhos peludinhos, fofinhos!), e a experiência foi sensacional!

Alguns vinhos foram selecionados para nos acompanhar nessa parte da refeição. O primeiro foi o delicioso grego Tsantali Naousa...


Esse vinho, elaborado 100% com a uva autóctone Xynomavro, apresentou uma coloração rubi bem bonita, com reflexos violáceos. No nariz, notas de ameixa em calda e cereja foram marcantes, na boca excelente acidez, notas de cereja e um tostado bem levinho. Eu adorei! Na verdade eu tenho percebido que os vinhos gregos me conquistaram... Gosto dessa coisa diferente, de fugir das uvas tradicionalmente conhecidas.

Em seguida fomos para a Itália, com o Valpolicella Ripasso Superiore Soraighe... 


Elaborado a partir das clássicas cepas Rondinella, Corvina e Molinara esse vinho apresentou um vermelho rubi bastante intenso, bem profundo. No nariz mostrou bastante fruta. Na boca deu para notar baunilha e amêndoa tostada, que combinaram perfeitamente com a carne de carneiro. Harmonização nota dez!

Em seguida partimos para a Espanha, com o Clos de Torribas 2006, que apresentou um vermelho rubi bonito, com notas aromáticas de coco. Na boca, muita fruta e muita madeira. Vinho simples, mas bacana...


Optamos voltar para a Itália, mais precisamente para a região da Toscana. Para isso, abrimos o clássico Chianti Riserva 2004, da Cantine Bonacchi.

 

Esse tinto, produzido com as cepas Sangiovese e Canaiolo apresentou aroma marcante de frutas vermelhas. Na boca mostrou boa acidez, as mesmas notas de frutas vermelhas e um tanino bem macio. Muito bom!   

Para finalizar abrimos o Poderuccio 2008, também da região da Toscana.

Esse vinho foi elaborado com as castas Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon. Notas aromáticas de chocolate, tabaco e frutas como ameixa. Na boca, muita elegância e bem integrado. Ficou MUITO bom com o carneiro.

Em resumo, passamos pelo prato principal em grande estilo, não é mesmo? Mas ainda tinha o Vin Santo e o Cantucci para finalizar o dia!