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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Os vinhos da Sicília mais perto de nós!

A convite do jornalista e amigo Beto Duarte, editor do famoso Papo de Vinho, eu e outros jornalistas participamos de um jantar no restaurante Parigi, aqui em São Paulo, para a apresentação de novos rótulos italianos, da região da Sicília que estão chegando por aqui através da Italy's Wine: São os vinhos da Azienda Agricola Vasari Azienda Patrì.  


Falar da saborosa comida e do serviço impecável do restaurante Parigi é falar "mais do mesmo". Se você não o conhece, coloque-o na sua listinha dos restaurantes para se conhecer antes de morrer: não se arrependerá.

Então, vamos para os vinhos! Dos seis rótulos degustados, dois merecem destaque: o Patrì Solitario Bianco, elaborado 100% com a casta autóctone Inzolia. Com coloração amarelo palha, aroma delicioso de pêssego, um leve toque floral e um final de boca salgado, esse vinho foi, para o meu paladar, o melhor da noite. Quando fiquei sabendo do preço, gostei mais ainda: R$50,00! Ideal para os dias quentes que estão chegando... Fiquei imaginando esse vinho com um prato de petiscos à base de frutos do mar!!! Ai, ai, ai...


Na sequência partimos para os tintos. Meu destaque vai para o Mamertino Nero D'Avola, elaborado 100% com essa casta e com passagem de 6 meses por madeira. Apresentou aromas de frutas vermelhas, principalmente framboesas e cerejas. Na boca mostrou taninos finos e boa acidez. O preço não é tão bom quanto o branco, mas vale a pena experimentar: Sai por volta dos R$ 100,00. 

Jantar impecável, vinhos saborosos e organização exemplar. É, Beto Duarte se supera a cada dia!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um jantar, 13 Brunellos e uma certeza...

Estive recentemente no restaurante Parigi, em São Paulo, para uma degustação de vinhos Brunello di Montalcino 2009. 


O evento, promovido pela Cooperativa La Spiga Montalcino - criada com o intuito de apoiar os agricultores locais - contou com a participação de 13 produtores em uma Master Class conduzida pelo especialista Jorge Lucki. 

Ao longo da noite, esses produtores apresentaram seus "filhos". Um mais delicioso e complexo que o outro. Vale lembrar que, para um vinho obter a DOCG Brunello di Montalcino, ele precisa se encaixar em uma série de regras bem específicas como, por exemplo, só poder ser colocado no mercado após o quinto ano de sua produção. Ou seja, os vinhos que degustamos foram produzidos em 2009 e só agora em 2014 estão chegando ao mercado. 

Os produtores reforçaram que, em uma escala de 1 a 5 estrelas, a qualidade da safra 2009 recebe 4 estrelas. Ou seja, não se trata de um vinho excepcional, mas de um vinho bem acima da média. E eu pude perceber isso degustando-os. Intensos, encorpados, complexos, jovens demais, é verdade, mas com um potencial de guarda bem legal! 

Dentre todos os degustados, o que mais apreciei foi Podere La Vigna 2009.


Coincidentemente o produtor deste rótulo, o italiano Adriano Rubegni, estava sentado em minha mesa durante o jantar. Seu importador, o Rodrigo Assunção da Premium Wines também estava conosco e pudemos, então, nos aprofundar e aprender ainda mais sobre sua vinícola e a região.  


A vinícola Podere La Vigna é propriedade da família Rubegni há muitas gerações, tem 4 hectares de vinhas e produz 30 mil garrafas/ano.


As vinhas localizadas nesta área são reconhecidas, historicamente, pela produção de excepcionais vinhos tintos. E pudemos confirmar isso na taça: frescor, exuberância, complexidade - toques de frutas frescas e secas, madeira equilibrada, longa persistência... A certeza de que um Brunello di Montalcino merece ser degustado com muita atenção e cuidado.

Como já disse, apesar deste ter sido meu favorito, foi possível degustar outros rótulos incríveis, que merecem ser apreciados com a devida atenção também. Os links das vinícolas estão todos aí abaixo. Vale o clique para apreciar a belíssima região de Montalcino. E, se tiver a oportunidade de degustar um Brunello, não o deixe de fazer!  

Azienda Agricola Bellaria
Azienda Agricola Capanna
Azienda Agricola Collelceto
Collemattoni
Tenuta Fanti
La Fornace
La Mannella
La Rasina
La Serena
Azienda Agricola Lazzeretti
Cantine Luciani 1888
Palazzo

sexta-feira, 7 de março de 2014

As mulheres no mundo do vinho

Sabemos que no mundo dos vinhos os homens ainda são maioria. Tanto em relação aos enólogos quanto aos jornalistas de vinho. Felizmente, esse quadro vem se transformando e, a cada dia, encontramos mais mulheres obtendo sucesso nessa área.

A importadora Portus decidiu homenagear as jornalistas, sommelières e enólogas, organizando um almoço feminino: Algumas jornalistas foram convidadas a almoçar no Bravin, comandado por uma das melhores sommelières do Brasil, Daniela Bravin. Lá, degustamos vinhos de duas enólogas cheias de qualidades: Filipa Tomaz da Costa, da Quinta da Bacalhôa e Corinne Seely, da Quinta da Romaneira.

Ao longo do nosso almoço pudemos conversar e analisar a real situação da mulher no mercado do vinho: Não tem sido fácil - para se ter uma ideia, todas as que estavam reunidas nesse almoço tinham uma boa história para contar sobre o fato de serem mulheres conquistando esse espaço. Apesar das dificuldades, o trabalho feminino vem se mostrando sólido, bem fundamentado e bem feito. Cada vez mais buscamos cursos de aperfeiçoamento e viagens para aprimorar nossa produção, seja jornalística ou enológica.



Diante de conversas tão enriquecedoras, a nossa jornada gastronômica se organizou da seguinte forma: uma entrada de ceviche misto


Que foi harmonizado com o refrescante Quinta da Romaneira Branco 2012.


Na sequência uma barriga de porco com chucrute, purê de maçã e morcilla - meu prato favorito da casa!


Harmonizado com o Quinta da Romaneira Rosé 2011.


Um prato de bochecha de boi que desmanchava na boca


Acompanhado do clássico Quinta da Bacalhoa 2011


E, para o brinde final, um Moscatel Roxo 1998!!!


Já dizia Mario Quintana que "são os passos que fazem os caminhos". Então, sigamos em frente! A jornada é longa e o caminho não é dos mais fáceis!

Feliz Dia da Mulher!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Importadora Cantu traz novos italianos!

Na noite da última quarta-feira, a imprensa especializada se reuniu no tradicionalíssimo restaurante Terraço Itália, para a divulgação de dois novos rótulos toscanos ícones da vinícola Ambrogio & Giovanni Folonari Tenute, que passam, a partir de agora, a fazer parte do portfólio da Importadora Cantu.



O embaixador dos vinhos italianos da Cantu, Luiz André Batistello, foi quem conduziu a degustação e, além de nos apresentar os dois lançamentos - o super toscano Il Pareto e o Brunello de Montalcino La Fuga, nos deu a oportunidade de degustar/ conhecer outros 4 rótulos toscanos da vinícola. Foram eles, na sequência:


1 - Cabreo 2008 – La Pietra IGT (100% Chardonnay);
2 - Campo Al Mare 2009 – Bolgheri Rosso DOC (Merlot/ Cabernet Sauvignon/ Cabernet Franc/ Petit Verdot);
3 - Cabreo 2007 – Il Borgo IGT (Sangiovese/ Cabernet Sauvignon);
4 - Baia al Vento 2008 – Bolgheri Superiore Rosso DOC (Merlot/ Cabernet Franc/ Petit Verdot);
5 - La Fuga 2008 – Brunello di Montalcino DOCG (Sangiovese);
6 - Il Pareto 2009 – Toscana IGT (Cabernet Sauvignon);

Vinhos com personalidade, viu? Cada um, a seu modo, me surpreendeu. O Cabreo 2008 Chardonnay foi realmente inesquecível! Quanta complexidade... A cada instante que voltava para a taça, eu me surpreendia com novas notas que se desprendiam do vinho!

Os lançamentos da noite também fizeram sucesso. O Brunello de Montalcino La Fuga mostrou-se extremamente perfumado, equilibrado, suculento, mas o ideal é deixa-lo descansar na adega por alguns anos. O super toscano Il Pareto entrou para a minha lista de queridinhos: Aromas de frutas vermelhas e negras, leve especiarias, taninos jovens, mas arredondados e excelente persistência Também merece ficar guardado na adega por alguns bons anos. O difícil é aguentar a tentação de deixa-lo ali, descansando.

Boa dica para presentear pessoas experientes na vivência do vinho. Sucesso garantido!

Enfim, noite deliciosa, vinhos brilhantes, organização impecável da CH2A Comunicação, e o melhor, observar a nossa linda e caótica São Paulo bem do alto!


Fotos: Jane Prado, do Château de Jane

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Bardega é incrível, mas senti falta de algo...

Na última quinta-feira visitei o recém-inaugurado e já famoso Bardega. Para quem não sabe, o Bardega é um novo bar aqui em São Paulo, que dispõe de 12 máquinas Enomatic (aquelas que vende vinho por taça), onde você mesmo se serve. Basta chegar, inserir o cartão, escolher o vinho, a quantidade em mililitros e pronto... Taça cheia!! Sonho de consumo para qualquer enófilo!


Ambiente bacana, atendimento feito por pessoas gentis e educadas... Confesso que ver aquele monte de garrafas é realmente tentador... Mas eu saí de casa com um roteiro bem definido, a fim de não sucumbir e beber (e gastar) mais do que deveria. Determinei beber uma taça de champagne, uma de vinho branco, uma de vinho rosé e uma de vinho tinto.

Cheguei e iniciei os serviços com o champagne Drappier - fresco, repleto de acidez, com perlage fino e intenso. Harmonizei com um ceviche de salmão e avocado. Perfeição!


Levantei-me para escolher um branco e, como não poderia deixar de ser, fui com um Riesling alemão, da região do Mosel, o Zeltinger Sonnenhur Selbach-Oster. Outra delícia!

Mas quando chegou o momento do rosé, fiquei muito triste, pois não tinha uma garrafinha sequer... nada, só champagne rosé. Vinho tranquilo rosé, nenhum... Como assim? Acho que a Provence merecia, ao menos, ser representada por uma garrafa. Sei que no Brasil as pessoas tem vários preconceitos com vinhos rosés, mas precisamos trabalhar essa questão... Confesso que fiquei tristinha, mesmo...

Fui direto para o tinto. Depois de muito procurar, pois as opções são inúmeras, meu escolhido foi um francês, da região de Bordeaux, mais especificamente Saint-Emilion Grand Cru, o Virginie de Valandraud. Que delícia! Maduro, pronto, inesquecível... Harmonizei com um entrecôte delicioso, acompanhado de vegetais crocantes. Incrível!


Chegou a hora da sobremesa e eu, que não sou muito ligada em doces, não resisti ao Crema Catalana, acompanhado de figos... Ai, meu deus, que delícia!!!


Não tomei nenhum vinho de sobremesa, embora tenha ficado com vontade de vários... A razão falou mais alto, ou eu teria de dormir por lá mesmo... 

Adorei a experiência! Leitores, vale super a pena conhecer o lugar: Como já disse, ambiente bacana, pessoas gentis, comida deliciosa, e vinhos sensacionais. Apesar de ficar tristinha com a ausência do rosé, o lugar merece não só uma visita, mas várias. Já estou programando a minha próxima!!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Bravin e vinhos da Áustria (parte final)

No último post eu estava contando a minha grata surpresa em conhecer o restaurante Bravin, em uma harmonização com os vinhos da Áustria. Vale destacar que, devido ao sucesso, eles repetirão o cardápio e os vinhos no jantar na próxima terça-feira (30/10).

De volta às minhas impressões...

O prato que veio na sequência foi uma barriga de porco com purê de batata e cebola grelhada.


Sabe aquela mistura entre carne macia e pururuca crocante, mas que derrete na boca? Era assim!! E o purezinho então, que textura!

O vinho da harmonização foi o Juris Rosé 2009, elaborado com a uva Sankt Laurent, da região de Burgenland.


Vinho leve, com coloração de pôr-do-sol, aromas frutados, minerais, eucalipto e um pouquinho de especiarias. Boa acidez, que combinou com a gordura do porco.

A sobremesa foi uma terrine de frutas e flores - a cara do verão, né?


Para a harmonização final fomos com um Sekt Juris Rosé, também elaborado com a uva Sankt Laurent. 


Este espumante apresentou um toque bem mineral e uma acidez marcante. Não é dos meus favoritos, mas ainda assim é uma boa bebida!

Conclusão: Voltarei ao Bravin antes do que eu imaginava. E os vinhos austríacos continuam sendo o meu vício no momento!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bravin e Vinhos da Áustria! (parte 1)

No sábado tive a oportunidade de conhecer um restaurante que há algum tempo eu ensaiava para ir visitar: o Bravin, da somelière Daniela Bravin. 

Nesse dia houve um cardápio fechado, harmonizado com os vinhos da Áustria (a minha grande fixação no momento!)

O que dizer: Perfeito? Maravilhoso? Incrível? Vários adjetivos poderiam ser usados, mas prefiro deixar vocês com água na boca, um breve texto e algumas imagens dos pratos.

O aperitivo (ou amuse bouche como preferem os chefs) foi uma ostra com lâmina de erva-doce, cebolinha e broto de coentro ao vinagrete de limão cravo.


Esse prato, já um clássico do jovem restaurante, é, simplesmente, saborosíssimo. É possível perceber todos os aromas e sabores, que se completam, transformando o ato de comer ostra numa experiência sensorial.

O vinho pensado para essa harmonização foi o Riesling Sal'mon, do produtor Salomon, da região de Kremstal.


Vinho fresco, aromático, com excelente acidez, notas de limão siciliano e uma mineralidade exuberante. Na harmonização com a ostra, se saiu super bem, ressaltando ainda mais as ervas do tempero. Foi a minha harmonização favorita!

Para a entrada foi servido vôngoles e mariscos marinière.


Essa panelinha é repleta de sabor e de mariscos bem macios! Separadamente veio um pãozinho que, como boa descendente italiana, eu não pude ignorar. Mergulha-lo no caldinho e comer, me fez sentir em casa.

O vinho da harmonização foi o Grüner Veltliner Hirsch Heiligenstein, do produtor Weingut Hirsch, da região de Kamptal. (Esqueci de fotografar - ah, essa blogueira!!) Vinho com toque herbáceo e umas frutinhas frescas como abacaxi e manga (talvez?), boa acidez, um pouquinho de álcool que sobrava e uma boa persistência.

Na sequência, uma pescada ao vapor com fitas de abobrinha e pepino, folha de erva-doce e molho de limão siciliano.


Ok, é senso comum saber que peixe combina com molho de limão, mas esse molhinho foi único. Minha vontade era raspar com a colher e não desperdiçar uma gotinha... Ah, se eu tivesse guardado um pedacinho daquele pão!

A harmonização aconteceu com o Sauvignon Blanc Vom Sand, do produtor Sattlerhof, da região de Styria.


Que vinho intenso! Os aromas se desprendiam facilmente da taça: pinho, frutas cítricas, frutas amarelas e brancas bem frescas. Vinho fácil de beber, que super harmoniza com um dia bem quente e com o mar (ou a piscina) ao seus pés! Reparou nas formiguinhas no rótulo... Com o peixe ficou perfeito!

Na sequência serviram uma barriga de porco que... Amanhã, amanhã eu conto!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Orus, você vai ter de provar!

Não costumo ter o hábito de intimar ninguém a fazer nada, mas esse post será diferente justamente por isso: Leitor, você PRECISA provar esse espumante sensacional - Orus Pas Dosé Rosé, do Adolfo Lona.

Tive a oportunidade de degustá-lo em mais um dos encontros de pontuação para o Guia Brasil às Cegas, e...

Tudo começa com uma coloração linda, depois os aromas te seduzem e quando você coloca na boca... Paixão! Sem medo de errar, um dos melhores espumantes que tive a oportunidade de conhecer nos últimos tempos.


Elaborado a partir do método tradicional e utilizando as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Merlot, esse espumante foi produzido em pequena escala (segundo Beto Duarte, apenas 608 garrafas) e com ausência total de açúcares (Nature).

Vamos às impressões: Com coloração de casca de cebola bem levinha e perlage fino e intenso, esse espumante mostrou muita complexidade aromática - morangos fresquinhos, pão, flores, nozes e um toque de mel bem leve. Na boca, muito frescor, excelente acidez, morangos, mel, um toque amanteigado e um gostinho de quero mais.

Um espumante que encara pratos pesados, como o acarajé que comemos no dia, lá no restaurante "Tabuleiro do Marconi"


Mas que também combina com um dia quente, na praia ou na piscina... É só você escolher o que prefere afinal, o espumante eu já decidi por vocês!!!

UPDATE: A safra 2012 já está disponível para compra. Maiores informações, clique aqui

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Apaixonada por Amarone!

Sim, sou apaixonada por Amarone. Sempre que tenho a oportunidade de provar, lá estou eu com a taça nas mãos, implorando por um golinho...

Minha primeira experiência com Amarone foi com o produtor Allegrini. Confesso que foi a primeira experiência e a mais marcante afinal, outros Amarones cruzaram meu caminho, mas nenhum deles me fez suspirar como o primeiro, que foi tomado no Terraço Itália e harmonizado com a ópera Carmen, de Bizet, mais precisamente na passagem de Habanera.

A potência da música, com marcação acentuada e crescente, harmonizou perfeitamente com o vinho, que também tem essa característica de intensidade: bastante corpo, bastante álcool e muita personalidade. Um vinho forte, presente, marcante, assim como a ária.

Mas, nos últimos dias, em mais uma degustação às cegas para o guia, apareceu um Amarone que se equiparou a esse inesquecível... Foi o Amarone Capitel Monte Olmi, 2004, do produtor Tedeschi, trazido pela Vínea.


Para quem não conhece, o Amarone é vinho italiano, típico da região do Vêneto... Ora, quando pensamos no Vêneto, pensamos no Valpolicella, certo? Certo, para alguns... Eu só penso no Amarone...

Esse tipo de vinho é elaborado com as mesmas uvas do Valpolicella (Corvina, Molinara e Rondinella), mas a partir de um método diferenciado: As uvas são levadas para as cantinas, onde ficam penduradas durante um certo tempo. Com isso, elas perdem água, e concentram açúcares e aromas. O vinho, então, é elaborado. O resultado disso é um vinho encorpado, que traz, nos aromas, a impressão de que se beberá algo extremamente doce. Porém, na boca, percebe-se um vinho frutado, com notas tostadas, que caminham para um chocolate amargo, mostrando-se bastante seco. Um vini da meditazione, como diriam os italianos.

Vale a pena experimentar! Quem sabe você também não se apaixona...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Harmonizando no boteco! - parte final

Confesso que não aguentava mais comer, mas dizer "não" diante de um prato com picanha grelhada e suculenta, coberta com molho de wasabi, seria um tanto desafiador... Como eu não gosto de desafios, comi vários pedaços...


Nessa altura do jantar, ninguém mais estava pensando em harmonização. Só queríamos continuar com a boa conversa e se refrescar. Para isso, recorremos a mais um vinho branco. Dessa vez, o escolhido foi o chileno Luis Felipe Edwards 2010, elaborado 100% com a casta Sauvignon Blanc.


Com amarelo palha bem clarinho, apresentou aromas cítricos. Na boca mostrou bastante fruta e frescor, com uma acidez crocante. Um vinho que me surpreendeu!

Para encerrar a noite, a sobremesa não poderia ser menos deliciosa do que todo o restante que já havíamos  comido. O doce, preparado pela nossa amiga e chef Talitha (do blog Groselhas Ateliê de Doces) era um bolo gelado de doce de leite. O melhor é que não se tratava de algo enjoativo, pelo contrário, tinha uma massa leve e um recheio geladinho, com cobertura de castanha picadinhas...


Para a harmonização, como a imagem nos mostra, fomos de Moscatel de Setúbal 2004, da Bacalhôa. Esse vinho dispensa comentários, não acham? Quem ainda não provou, não perca tempo!

Com coloração âmbar e aromas de flor de laranjeira, chá e passas, esse vinho apresentou um bom corpo e um final de boca longo e persistente. Muita potência que não harmonizou com nosso bolo, mas separadamente, ambos se saíram muito bons!

Responda-me leitor: Pode existir um boteco melhor que o Izakaya Kintarô? Eu ainda não conheço...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Harmonizando no boteco! - parte 2

Continuando com a sequência de comidas e vinhos, chegou o momento de desvendar o que é o Tok Po Gi, não é mesmo? Trata-se de um prato coreano bastante simples, mas extremamente picante e aromático. Ele é elaborado a partir de uma massa de arroz e de uma massa de peixe, que juntos, criam um mix de textura e sabor. O Taka, dono do Izakaya Kintaro, tem um blog, o "Cadê o Rango?" e ele disponibilizou a receita. Para aprender mais um pouquinho sobre o prato e ver como se prepara, basta clicar aqui


Como esse prato foi uma surpresa para todos nós, não pensamos em nenhum vinho que pudesse harmonizar com tanto sabor... E mesmo depois de experimentar, tenho muitas dúvidas se um vinho aguentaria uma profusão de sabores tão intensos quanto o Tok Po Gi. Por isso, estou esperando sugestões nos comentários, viu leitores?

Nosso vinho foi o rosé chileno, do Valle del Maipo: O Aquitania 2010, elaborado a partir da Cabernet Sauvignon


Com coloração quase pink e aromas intensos de morangos e framboesas, esse não combinou em nada com o Tok Po Gi. Em contrapartida, sua acidez refrescante e seu corpo leve, com notas de frutas vermelhas, harmonizou super bem com o prato de lulas, camarão, cogumelos shimeji e nirá grelhados com molho de soja e ostra. Aliás, essa foi a melhor harmonização da noite. 


A textura da lula estava no ponto, o camarão suculento e os cogumelos com sabor inigualável... Esse prato foi devorado em poucos minutos!

Em seguida chegou um frango grelhado que tinha um aroma e um sabor muito bons! E olha que eu nem como frango, hein...

A receita é segredo de Estado, por isso só me resta dizer que tinha um gostinho adocicado, acompanhado de uma crocância salgada.


O vinho escolhido foi um Riesling da Alsácia, o Herrenweg 2009, do produtor Barmès Buecher.


Com coloração amarelo palha e aromas de flores brancas e pedra de isqueiro, esse vinho apresentou corpo médio, boa acidez e um toque defumado no final, que combinou bem gostoso com o frango e com a casquinha grelhada dele. Confesso que não esperava uma harmonização boa nessa mistura, mas valeu a aventura.

Eu já estava satisfeita, mas ainda tinha uma picanha com wassabi e um bolo gelado de doce de leite para nos levar ao delírio gastronômico, que você lerá no próximo post, ok? Até lá...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Harmonizando no boteco! - parte 1


"Kintarô é um boteco da Liberdade
o melhor boteco da Liberdade
 e talvez o melhor boteco do mundo".
Fabrício Corsaletti

Eu e todos os membros da Confraria Tarja Preta também concordamos que o Izakaya Kintarô - boteco sensacional do nosso querido amigo Taka - é o melhor boteco do mundo. Não foi à toa que realizamos mais um encontro lá, na última quarta-feira.

Para você saber porque o Kintarô é tão sensacional, não deixe de visita-lo. Só estando lá para entender! Leia também os posts já publicados aqui no "Taças e Rolhas" sobre esse legítimo pub japonês. Basta clicar aqui, aqui e aqui... Se depois disso, você ainda tiver dúvidas se deve ou não conhecê-lo, busque ajuda!

Começamos nosso trabalho de comer e beber com as deliciosas porções de berinjela no missô, mariscos temperadinhos e bardana.





Para beber, fomos com um Pinot Grigio da região da Umbria, o Matile 2009, do produtor Cardeto. Na taça um amarelo palha brilhante. No nariz aromas de aspargos e frutas amarelas frescas, além de uma lichia bem marcante. Na boca mostrou frescor, acidez elevada e um gostinho de melão. Já dá para imaginar que na harmonização com os mariscos ele foi perfeito! Encarou a berinjela sem fazer feio, mas sucumbiu à picância do gengibre na bardana!


Em seguida, fomos para um Torrontés de coloração quase transparente. Adoro vinhos assim clarinhos como água, acho bonito! O escolhido foi o Temático Jovem 2009, que com aromas de flores bastante destacadas, surpreendeu na boca com bastante acidez e uma persistência bem legal para um vinho branco.


Mas nas harmonizações ele não resistiu... Se saiu melhor quando bebido sozinho, sem prato para acompanhá-lo.

E então, leitor, o que achou? Se gostou, não perca o próximo post, com comidinhas mais deliciosas ainda... Tem lula, camarão, Tok Po Gi, frango, picanha... Não sabe o que é Tok Po Gi? Então é melhor aparecer por aqui e aprender a receita!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Comida boa com preço melhor ainda!!

Sou leitora do blog do Marcelo Katsuki. Adoro as dicas de restaurantes que ele dá. Nessa semana li sobre um bistrô e pâtisserie aberto recentemente na Rua Augusta, o Amorim Chéri

Eu adorei o texto e as fotos que ele postou, por isso, não perdi tempo e fui lá conhecer esse novo espaço. Fui para almoçar afinal, o atendimento deles é até às 20 horas.

O lugar é muito bonitinho e aconchegante. Logo na entrada ficam os balcões de doces; mais ao fundo estão as mesas para quem quiser fazer um lanche rápido ou um almoço executivo, sempre por R$ 25 (entrada + prato principal). Existe também as opções do cardápio, com comidinhas para todos os gostos.

De entrada optei pela salada de folhas com tomate cereja e um molho bem gostosinho de frutas vermelhas, com um palitinho de massa folhada super crocante e delicioso.


No prato principal fui de risotto de linguiça. Confesso que estava esperando algo como um risotto al chianti, mas a surpresa foi realmente boa... Se tratava de um risotto de legumes bem saborosos, acompanhado de linguiça. Foi possível sentir o sabor de cada ingrediente: a firmeza da vagem, a maciez adocicada da abóbora, a leveza da abobrinha e claro, o salgadinho da linguiça... Uma delícia!!


A carta de vinhos é pequena e se resume a uns 20 rótulos de vinhos franceses, na sua maioria, espumantes e tintos. Tem apenas um rótulo de vinho branco e um de sobremesa. Se você preferir levar sua garrafa, o restaurante cobra rolha de R$ 15.

Para a harmonização escolhi um Borgonha 2009, o Domaine Voarick, do produtor Michel Picard. 




Com coloração aguadinha típica de Pinot Noir, esse vinho não surpreendeu: no nariz apresentou aroma de goiaba bem madurinha e um pouco de caramelo. Na boca mostrou uma acidez bem marcada e um leve amargor no final, sem nada mais que chamasse a atenção, ou seja, um vinho simples e bem longe dos Pinot Noir produzidos na Borgonha.

Chegou a hora da sobremesa e eu, que nessa hora costumo me retirar da mesa, não fugi dessa vez...

Eu já sabia, antes de sair de casa, qual seria a sobremesa que eu degustaria... Era a mesma que o Marcelo Katsuki postou em seu blog afinal, eu salivei quando vi a foto. Essa sobremesa é o mil-folhas de frutas vermelhas, com açúcar queimadinho em cima, recheado de creme de baunilha. Ai, ai, ai...


Dá uma olhadinha na altura da sobremesa!!

Imaginei um Late Harvest na harmonização com essa sobremesa!
A massa estava crocante, as frutas bem azedinhas (do jeito que eu gosto) e o creme bem saboroso. Quer saber quanto custou esse doce? R$ 15.

E então, leitor, o que achou? Só posso dizer que vale muito a pena a visita.