quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Comprar ingredientes e vinhos no Mercado Municipal: compensa?

O mais importante mercado municipal de São Paulo, também conhecido como Mercadão (da Cantareira), é onde costumo comprar os ingredientes para as festas de fim de ano.


O Mercadão, localizado no centro antigo da cidade, foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933 para servir de entreposto comercial de atacado e varejo, especializado na comercialização de frutas, verduras, cereais, carnes, temperos e outros produtos alimentícios. 

Há tempos virou um dos cartões postais da cidade e local de passagem obrigatória para quem vem passar uns dias na imensa São Paulo, não só pela história ali presente, mas para saborear os exagerados sanduíches de mortadela, o pastel e o bolinho de bacalhau.



O edifício, construído entre 1928 e 1933 pelo escritório do renomado arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, tem o desenho das fachadas feito por Felisberto Ranzini. No interior, lindos vitrais de Conrado Sorgenicht Filho mostram vários aspectos da produção de alimentos.

Um dos 72 vitrais do artista russo Conrado Sorgenicht Filho

O passeio vale a pena, viu! Mas sempre me perguntam: "Você não acha que os ingredientes ali são todos muito caros?"

Veja bem: Os ingredientes ali são todos frescos, de excelente qualidade e de boa procedência. Os atendentes são bem preparados e conhecem bastante sobre o que estão vendendo. Os cortes de carne são impecáveis (sempre compro no "Porco Feliz"). Os peixes e frutos do mar são frescos (costumo comprar no "Ki Peixe"). Acho que pagar alguns "reaizinhos" a mais compensa, sim. E são "reaizinhos" mesmo! A diferença de preços com as redes de supermercados não costuma ser muito, com exceção das frutas que se, compradas em boas feiras livres oferecem a mesma qualidade e um preço mais em conta do que o praticado no Mercadão.

Mas tem algo que NÃO dá para comprar no mercadão, em hipótese alguma: vinhos! 

Comparando os preços percebi que o valor ultrapassa até três vezes o praticado em empórios e importadoras. Por isso, é melhor deixar para comprar o espumante da hora da virada em outro lugar!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Os vinhos da Sicília mais perto de nós!

A convite do jornalista e amigo Beto Duarte, editor do famoso Papo de Vinho, eu e outros jornalistas participamos de um jantar no restaurante Parigi, aqui em São Paulo, para a apresentação de novos rótulos italianos, da região da Sicília que estão chegando por aqui através da Italy's Wine: São os vinhos da Azienda Agricola Vasari Azienda Patrì.  


Falar da saborosa comida e do serviço impecável do restaurante Parigi é falar "mais do mesmo". Se você não o conhece, coloque-o na sua listinha dos restaurantes para se conhecer antes de morrer: não se arrependerá.

Então, vamos para os vinhos! Dos seis rótulos degustados, dois merecem destaque: o Patrì Solitario Bianco, elaborado 100% com a casta autóctone Inzolia. Com coloração amarelo palha, aroma delicioso de pêssego, um leve toque floral e um final de boca salgado, esse vinho foi, para o meu paladar, o melhor da noite. Quando fiquei sabendo do preço, gostei mais ainda: R$50,00! Ideal para os dias quentes que estão chegando... Fiquei imaginando esse vinho com um prato de petiscos à base de frutos do mar!!! Ai, ai, ai...


Na sequência partimos para os tintos. Meu destaque vai para o Mamertino Nero D'Avola, elaborado 100% com essa casta e com passagem de 6 meses por madeira. Apresentou aromas de frutas vermelhas, principalmente framboesas e cerejas. Na boca mostrou taninos finos e boa acidez. O preço não é tão bom quanto o branco, mas vale a pena experimentar: Sai por volta dos R$ 100,00. 

Jantar impecável, vinhos saborosos e organização exemplar. É, Beto Duarte se supera a cada dia!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Os melhores vinhos do Chile

No último dia 2 de dezembro aconteceu a entrega da premiação aos melhores vinhos chilenos, no 12º Annual Wines of Chile Awards (AWoCA).

Foto: Divulgação CH2A

Em uma cerimônia de gala realizada no hotel Renaissance, em São Paulo, foram revelados os melhores vinhos do Chile em 15 categorias distintas. A edição desse ano é considerada histórica, já que pela primeira vez a associação Wines of Chile - que representa mais de 90 vinícolas no mercado mundial - realizou esse evento fora do Chile e foi composta por um corpo de juízes exclusivamente brasileiros. Durante três dias, os jurados provaram 639 vinhos de 92 vinícolas. 

Ao longo do evento tivemos a oportunidade de conversar pessoalmente com os enólogos e também parabeniza-los pelos resultados alcançados.

Pablo Morandé. eu, Jane Prado e Beto Duarte

Impossível não postar o momento "Sou fã desses enólogos". Na foto estão os renomados Mário Geisse, Pablo Morandé e Marcelo Retamal.

Foto: Jane Prado, do Château de Jane

A lista de vencedores do 12º Annual Wines of Chile Awards: 

Best in the Show (o melhor vinho do concurso) - Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque - importado pela Obra Prima

Premium Red (o melhor tinto) - Armida 2009/De Martino - importado pela Decanter

Premium White (o melhor branco) - Amelia 2013/Concha y Toro - importado pela VCT Brasil

Other Reds (outras uvas tintas) - Tama Vineyard Selection Carignan 2013/Viña Anakena importado pela Winebrands

Other Withes  (outras uvas brancas) - Single Vineyard Neblina Riesling 2011/Leyda importado pela Grand Cru

Blends (várias uvas) - 5 Cepas 2013/Casa Silva importado pela Vinhos do Mundo

Rosé - Gallardía del Itata Cinsault 2014/De Martino importado pela Decanter

Sparkling Wine - Brut Nature/Viña Morandé importado pela Grand Cru

Late Harvest - Erasmo Late Harvest Torontel 2009/Erasmo importado pela Franco-Suissa

Cabernet Sauvignon - Gran Terroir de los Andes - Los Lingues Cabernet Sauvignon 2012/Casa Silva importado pela Vinhos do Mundo

Carmènére Carmènére Reserva 2013 Pedriscal Vineyard/Falernia importado pela Premium/BH

Pinot Noir - Pinot Noir Reserva 2013/Falernia importado pela Premium/BH

Syrah - Syrah Gran Reserva 2012/Viña Casas del Bosque importado pela Grand Cru

Chardonnay - Tarapacá Gran Reserva Chardonnay/Viña Tarapacá importado pela Épice

Sauvignon Blanc - Specialties Sauvignon Blanc Ocean Side 2014/Santa Carolina importado pela Casa Flora

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Veneza, Bellini e Carpaccio

Falar de Veneza?



Junte todos os clichês - linda, mágica, apaixonante, estonteante, cinematográfica, ... Juntou? Pois ainda será pouco! É impressionante como essa cidade é bela. Sempre digo que fotografar Veneza não requer prática, tampouco habilidades... Fácil, fácil!!! Qualquer beco, esquina, janela, canal, gôndola, é fotogênico. Com frequência revejo minhas fotos e me apaixono novamente.


Tive a oportunidade de estar lá por duas vezes, uma em 2013 e outra neste ano de 2014. Em ambas estive durante o verão! Sol, milhares de pessoas e a certeza de que se trata de um lugar pra lá de especial.



Para nós, apaixonados por gastronomia, impossível falar em Veneza e não falar de um prato e um drinque nascidos ali, no famoso Harry's Bar e que se espalharam pelo mundo: o Carpaccio e o refrescante Bellini.

O carpaccio - finíssimas fatias de carne crua, com molho de mostarda - foi criado para servir a condessa Amalia Nani Mocenigo, em 1950, quando ela informou ao dono do bar que seu médico havia recomendado o consumo exclusivo de carne crua. O prato foi nomeado por Giuseppe Cipriani, o fundador e dono do bar, em referência ao pintor italiano Vittore Carpaccio, pois as cores do prato o recordavam das pinturas de Carpaccio.



O drinque Bellini - uma parte de pêssegos ralados e três partes de Prosseco - também nasceu no mesmo bar, e também foi criado pelo Giuseppe Cipriani, mas um pouco antes, por volta dos anos 20. Dessa vez, o homenageado foi o famoso pintor renascentista Giovanni Bellini, considerado um renovador do estilo veneziano. O nome foi assim definido, pois a cor do coquetel é semelhante às que Bellini usava em seus quadros.


O drinque, originalmente feito no verão, pois era a época da safra do pêssego, fez muito sucesso entre os frequentadores do bar, como Charles Chaplin e Ernest Hemingway. Segundo Cipriani, um dos segredos para fazer um verdadeiro Bellini é usar somente pêssegos brancos; outra dica é dada por Maurice Graham Henry (citado por Cipriani no site oficial do bar) o pêssego branco deve ser ralado, para criar um “purê” de pêssego e, se necessário, adicionar açúcar. 

Mas me contaram que tem um jeito bem fácil de tomar um Bellini, sem precisar ir até Veneza ou ralar pêssegos. Como? Eu só descobrirei amanhã, às 20 horas, no site do Winebar. Vem descobrir comigo!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Festival do vinho sul-americano em SP, na próxima sexta-feira

Brasil, Argentina, Chile e Uruguai são os países da América do Sul mais conhecidos quando falamos em vinhos. 


Juntos, eles dominam a participação no mercado brasileiro em quase 80% dos vinhos finos vendidos. O Chile é o líder de importações seguido da vizinha Argentina e, embora o Uruguai não esteja entre os primeiros colocados do ranking, posso garantir que os vinhos são excelentes; as pessoas só precisam descobri-lo.

Por isso, venha conferir essa diversidade no Festival do Vinho Sul-Americano, organizado pela SBAV-SP (Associação Brasileira dos Amigos do Vinho de São Paulo). O evento será no Hotel Golden Tulip Paulista Plaza, em São Paulo, e promete atrair os profissionais do mundo do vinho e, principalmente, o consumidor final, já que alguns dos rótulos degustados também estarão à venda.

De acordo com Rodrigo Mammana, presidente da SBAV-SP, o evento acontece em um período estratégico do mercado: “Estamos em um bom momento para promover o vinho sul-americano devido às festividades de final de ano que se aproximam. O Festival é uma oportunidade para quem quer adiantar as compras nesta época em que há um aumento no consumo de vinhos e espumantes”.

Então, anote na agenda: 

Festival do Vinho Sul-Americano 
3 de outubro de 2014 | Das 16 às 21 horas
Hotel Golden Tulip Paulista Plaza
[Alameda Santos, 85 – Jardins – São Paulo/SP]
Mais informações: (11) 3814-7905 | vinho@sbav-sp.com.br
Convites: R$ 30,00 (associados) e R$ 50,00 (não associados)

Nos vemos lá!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma noite, dois vinhos, três pratos e quatro amigos!

Adoro encontros na sexta-feira à noite! Parece que o final de semana rende mais, né? Por isso não perdi tempo em aceitar o convite para jantar com a blogueira mais linda e doce desse mundo dos vinhos - Jane Prado, do Château de Jane.

O jantar, preparado por Jane e Alessander Guerra (autor do livro Sex and Kitchen e do site Cuecas na Cozinha) - estava indefectível: Bruschetta de queijo brie com abobrinha e redução de aceto balsâmico, risoto de legumes e, de sobremesa, um petit gateau que derretia na boca!

Ah, pode ter jeito melhor de começar o final de semana? Duvido!

Para beber, começamos com o melhor espumante brasileiro, o Estrelas do Brasil Nature 2007!!


Coloração dourada encantadora! Na boca mostrou excelente persistência, com notas de mel e amêndoas, que harmonizou em cheio com a bruschetta. Delícia!! Dica: Entra no site da vinícola Estrelas do Brasil e compre essa garrafa por R$80. Você não vai se arrepender!

Na sequência fomos com um Riesling da Nova Zelândia, o Hunters 2011.


Esse vinho foi um presente de Jane para mim. No final de 2013 participamos de um amigo secreto patrocinado pelo site Wine e ela me sorteou!

Extremamente aromático! Sabe aquele vinho que contêm toda a tipicidade de uma casta? É esse! Todos os aromas característicos da Riesling estavam lá, em especial o querosene, a maçã verde, o limão siciliano e um leve toque de flor.

Dois vinhos impressionantes, que ficaram ainda mais incríveis diante da boa comida e do bom bate-papo!

Sim, a vida com amigos e vinhos é sempre melhor!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A fome é o desejo reincidente...

Há tempos adio a leitura do livro "Clube dos Anjos", de Luís Fernando Veríssimo, que pertence à coleção "Plenos Pecados", da Editora Objetiva. Com o slogan "um convite à reflexão e também ao prazer", a coleção Plenos Pecados foi lançada no ano de 1998, apresentando sete obras de sete autores consagrados, com a proposta de analisar os pecados capitais que fascinam e aprisionam os homens ao longo dos séculos, sob um ponto de vista libertador e contemporâneo. 

E, nesses acasos da vida, enquanto passeava pela Livraria Cultura, me deparei com o volume escrito pelo Luís Fernando Veríssimo, narrando o delicioso pecado da Gula!

Foto:  Divulgação

A contracapa já seduz: 

"Não é todo dia que se quer ver um pastoso Van Gogh ou ouvir uma crocante fuga de Bach ou amar uma suculenta mulher, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba - mas a fome continua."

Como resistir à tentação de começar a ler ali mesmo, na livraria... Não, não pude resistir e comprei!

O livro conta a história da Confraria do Picadinho, que se reúne uma vez ao mês para celebrar a arte de comer bem. Porém, no dia seguinte ao jantar feito por um misterioso chef, um dos confrades morre por circunstâncias misteriosas, justamente ele que, por tanto ter gostado do prato feito pelo cozinheiro (Boeuf Bourguignon), quis comer a última porção. A dúvida paira no ar entre os presentes: teria o confrade Abel morrido envenenado?

A morte do amigo não é motivo para pararem com os encontros, e no mês seguinte, mais um jantar promovido por Lucídio e mais uma morte. No outro mês, o episódio se repete. Diante de tantas coincidências entre jantares e mortes, não seria o mais aceitável que os encontros fossem cessados? Seria, mas não para o grupo que, de certa forma sente um prazer ainda maior em saborear os pratos apimentados com um iminente medo de morrer. A comida, de algum modo, ficaria mais saborosa por causa da incerteza mórbida da última refeição: será que amanhã eu vou amanhecer vivo?

Estou me deliciando com a obra, desejando saborear a última página.