quinta-feira, 3 de maio de 2012

Você vai tomar uma taça de Borgonha!


Aprender é sempre muito bom, e foi com essa sensação que eu saí do evento Wine Tour Brasil - Descobrindo os vinhos da Borgonha - promovido pela Ubifrance Brasil, que se realizou no hotel Tívoli, em São Paulo, no dia 17 de abril.

A palestra dada sobre a região, sobre o terroir, os climats e a incrível variedade de vinhos produzidas por essa região na França que sabe o que é vinho há mais de 2 mil anos, foi muito boa. Além de explicação clara e didática, o material de apoio fornecido pelos organizadores estava impecável.

Além da apresentação, o professor da École des Vins de Bourgogne conduziu uma degustação de oito vinhos, com base nos quatro níveis de denominação das appellations da Borgonha. Vamos a eles:

Iniciamos com as Appellations Régionales, que são vinhos produzidos em todo o conjunto de vinhedos da Borgonha, ou seja, uma denominação mais genérica. O primeiro foi Bourgogne Blanc Cuvée des Forgets, 2010, da Domaine Patrick Javillier


Com amarelo palha clarinho, apresentou aromas frescos e leves, com toque cítrico. Na boca mostrou média persistência, boa acidez, e um limão ao fundo. Pronto para beber. Aliás, a indicação é a de ser consumido jovem.

Na sequência fomos de Bourgogne Hautes Cotes de Nuits 2010, da Domaine Philippe Gavignet


Com aromas de borracha e de framboesa, na boca apresentou notas de frutas vermelhas bem fresquinha, principalmente cereja e elevada acidez. Um vinho jovem, que deve evoluir bem nos próximos dois anos.

Partimos para as Appellations par Village, que são vinhos produzidos no território dos municípios vinícolas que levam seu nome. Ex: Irancy, Beaune, Mercurey, Pouilly-Fuissé

Começamos com Pouilly-Fuissé 2009, da Domaine Pascal Rollet


Vinhos extremamente aromático, com notas de erva-doce, camomila, um toque mineral e um leve defumado. Na boca muita acidez e equilíbrio, bom corpo, porém extremamente fácil de beber

Em seguida fomos para o Mercurey 2009, da Domaine du Château de Chamirey


Aromas de frutas vermelhas bem intensas. Na boca percebemos que é um vinho jovem demais, com muita adstringência e taninos firmes. Precisa ficar mais um tempinho descansando.

Seguindo com as denominações, partimos para Appellations Premiers Crus, ou seja, vinhos produzidos em pequenas terras delimitadas com precisão, chamadas Climats, no seio de uma pequena cidade. Essa indicação vem sempre no rótulo. Exemplo: Chablis 1er Cru Fourchaume, Nuits-Saint-Georges 1er Cru, Les Cailles…

Fomos de Meursault Premier Cru, Genevrières 2009, da Domaine Latour Giraud


Vinho bastante complexo, tanto no nariz como na boca. Notas de caramelo e tostado se destacavam. Com o passar dos anos esse tostado deve perder sua potência. Na boca muito equilíbrio e elegância.

Chegamos no Gevrey-Chambertin Premier Cru, Cherbaudes 2008, da Domaine des Beaumont


Com uma coloração que já indicava um certo envelhecimento, esse vinho apresentou aromas de cereja e manteiga. Na boca mostrou uma excelente acidez e a certeza de que poderá envelhecer por uns 15 anos.

Por fim chegamos à denominação mais alta dos vinhos da Borgonha: a Appellations Grands Crus, que apresenta vinhos produzidos nas melhores partes das terras dos municípios vinícolas. 

Serviram-nos o Chablis Grand Cru, Valmur, 2009, da Domaine Christian Moreau


Vinho extremamente aromático, principalmente de notas minerais e frutadas. Na boca a presença de pera, maçã e abacaxi foram marcantes.

O último vinho da nossa degustação foi o Corton Grand Cru, Le Rognet et Corton, 2008, da Domaine Michel Mallard & Fils.



Vinho muito complexo nos aromas, com bastante intensidade e harmonia. Na boca mostrou essa austeridade toda, com notas de sangue, couro e ervas, assim como flores secas. 


Que conclusão tirei dessa experiência toda? De que todos nós precisamos tomar uma bela taça de um vinho da Borgonha, seja ele branco ou tinto. E sabe por quê? Porque os vinhos da Borgonha são um mapa de vinhos ricos e de diversidade única. 


Aquela história de que a Borgonha tem um vinho que se encaixa em qualquer ocasião, pode até parecer clichê, mas através da degustação foi possível perceber os diferentes tipos de vinhos existentes, mesmo sendo elaborado com a mesma uva... Tudo isso graças ao climat, ou seja, cada parcela do terreno reflete a característica própria, única e especial dos vinhos de lá.

4 comentários:

  1. Evelyn esta degustação justificou o o lema do teu blog

    Porque quase nada é tão legal quanto a descoberta de novos vinhos

    Um beijo Peter

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    1. É a pura verdade, Peter!
      Grande beijo!!

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  2. Nossa você provou o Gevrey-Chambertin Premier Cru, Cherbaudes 2008, da Domaine des Beaumont. Eu tenho um desse em casa Gran Cru 2004 ou 2005 acho, comprei na Borgonha. Este evento foi realmente uma pena não ter ido, pois Borgonha é o meu preferido. Gevrey-Chambertin, além de ser um dos prinpipais terroirs como disse, para mim sem dúvida é a mais linda da região. Borgonha para mim, foi paixão e amor a primeira taça...

    tim-tim

    Evandro

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    1. Que legal poder conhecer a Borgonha, né? Um dos meus sonhos (que espero realizar em breve!) Quanto ao vinho, dentre os tintos ele foi o meu preferido!! Vc pode guardar o seu por um bom tempo, hein?? Mas se precisar de ajuda para bebê-lo, não se acanhe em me chamar!! rsrsrsr
      Beijo

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